Não quero aqui abordar se os países possuem interesse em seguir o que foi acordado, restringir ainda mais a emissão de gases, empreender sanções para empresas que descumprirem as regras, enfim, se há interesse por parte dos estados em mudar comportamentos em prol de meio ambiente saudável. Também, não vou me prolongar em dizer que a preservação do meio ambiente é necessária não apenas para nós habitantes desse planeta azul, mas àqueles que futuramente terão a Terra como lar. Nossos filhos, netos e, com sorte, bisnetos.
O fato é que as discussões dos impactos da ação humana sobre o meio ambiente têm girado em torno, principalmente, na responsabilização dos estados na solução dos problemas ambientais. Com isso, a preservação do meio ambiente acaba sendo vista pela sociedade como uma questão macro que deve ser discutida apenas por líderes mundiais e altos diplomatas. Tais problemas, mesmo afetando diretamente a todos os moradores desse planeta, ficam distantes das pessoas. É como se ninguém, exceto esses chefes de estado, pudesse fazer nada para modificar essa realidade.
No entanto, cada ser humano tem a responsabilidade de cuidar da Terra. Para isso, não precisa militar no Greenpeace, nem aparecer nu em eventos internacionais como forma de protesto contra a falta de empenho dos países em diminuir os índices de poluição. Basta, no dia a dia, incorporar hábitos simples como separar corretamente o lixo, ir para o trabalho de bicicleta em vez de usar algum veículo auto-motor, não jogar lixo nas ruas, dar um destino correto a pilhas e sobras de óleo de cozinha, não usar sacolas plásticas... Empresas, mesmo interessadas em manter uma boa imagem, já estão engajadas na reciclagem de alguns materiais, oferecendo locais para o depósito de pilhas e baterias usadas, materiais recicláveis, como plástico, papelão e até óleo de cozinha.
Antes de olhar para macro, é preciso visualizar o micro. E isso também é responsabilidade do Estado. Quando chove, canaletas entopem, ruas alagam, as pessoas sempre reclamam. Culpa delas? Claro, mas, também, culpa do poder público, que costuma se defender afirmando que não há educação ambiental por parte da população. Coloca a culpa nos cidadãos. De fato eles são os agentes. Perpetuam uma cultura de séculos. Mas a responsabilidade da quebra desse paradigma é do poder público. Ensinar, fiscalizar e até multar se for preciso. Educação ambiental deve começar na escola e se prolongar fora dela. Dentro de casa, com os pais, na rua, com os visinhos, até nas conversas entre amigos.
Sonho com o dia em que repreender um desconhecido por jogar na rua saquinhos de pipoca, latas de refrigerante, entre outras coisas, não será motivo para se levar um fora. Sonho com o dia que em cada poste da cidade terá cestos de lixo, de coleta seletiva, sem estar depredado, que poderei andar pelas ruas sem precisar me desviar da sujeira. Certa vez uma brasiliense me disse que Recife fedia. Sonho com o dia em que isso não será mais verdade.






